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Comadres e Compadres comemoraram 17 anos de existência da Academia
do Bacalhau de S. Miguel
4 de Novembro de 2011

São já passados 17 anos desde que, no dia 30 de
Outubro de 1994, numa cerimónia muito concorrida, que contou com a
presença das principais autoridades locais e regionais de então,
realizada no salão nobre do antigo Hotel S. Pedro, se procedeu à
fundação e instalação da Academia de Bacalhau de S. Miguel,
apadrinhada pela congénere academia mater, de Lisboa, iniciativa que
teve
como principal impulsionador Carlos Botelho, um destacado lagoense a
viver na capital portuguesa.
Para além do núcleo base que deu corpo ao projecto, ali mesmo foram
declarados sócios-fundadores muitos dos presentes que, afirmando ser
seu desejo ingressar na nóvel instituição e cumprir as regras do
espírito academista, inscreveram e subscreveram o seu nome no “Livro
de Registo de Sócios”, no local patente para o efeito, muitos deles
continuando ainda hoje membros activos da Academia.
O movimento das Academias do Bacalhau nasceu na África do Sul, mais
precisamente em Joanesburgo, em 10 de Junho de 1968, fruto da
saudade, da nostalgia, do amor pátrio e da indefectível paixão
gastronómica pelo bacalhau, nutridos por emigrantes lusos ali
radicados, estendendo-se hoje a vários países de todos os
continentes onde palpita um coração português, sempre com o
objectivo academista de fomentar, encorajar e desenvolver as
relações de convívio e amizade entre as comunidades portuguesas e
elementos de outras nacionalidades, nomeadamente com
vista à defesa do prestígio e do bom nome de Portugal e dos
portugueses e à difusão da cultura e dos lusos valores tradicionais

Aos fundadores da Academia de
Bacalhau de S.Miguel muitas dezenas de cidadãos se foram juntando ao
longo dos anos contribuindo para que, sob várias formas, a
instituição venha prestando a extractos mais desfavorecidos da
sociedade micaelense um apoio solidário muito expressivo.
Foi, de resto, com esta preocupação que a Academia de Bacalhau de S.
Miguel levou o espírito academista a outras ilhas, nomeadamente à
Terceira e ao Faial, apadrinhando ali a criação de Academias do
Bacalhau que, em termos de companheirismo, de amizade, e de
solidariedade, se têm salientado nas comunidades onde estão
integradas. A Academia de Bacalhau de S. Miguel foi distinguida com
a atribuição da “Medalha de Mérito das Comunidades Portuguesas”,
pelo Governo da República, por ocasião da realização do 31º
Congresso Mundial das Academias do Bacalhau, em Ponta Delgada, em
Outubro de 2002, sendo então seu Presidente o Dr. António José
Cavaco.
A Academia do Bacalhau, que tem como Presidentes da Assembleia
Geral, da Direcção e do Conselho Fiscal respectivamente Luciano
Garcia Lopes, João Brito Subtil e João Medeiros, reuniu na passada
sexta-feira, em assembleia comemorativa de aniversário, no Hotel VIP
Executive, em Ponta Delgada, a qual contou com a presença de muitos
associados e respectivos cônjuges e decorreu num ambiente muito
acolhedor e animado, para o que muito contribuiu a criteriosa ementa
do “chef” de cozinha do hotel que, como mandam os estatutos da
associação, fez do bacalhau o rei da noite.
Aumenta o número de “Companheiros” A Assembleia evocou os sócios já
falecidos, foi informada sobre as actividades que a associação tem
vindo a desenvolver e tomou ainda conhecimento de outras programadas
para um futuro próximo, com ênfase para as previstas no âmbito da
sua Comissão de Solidariedade, presidida por Mons. Weber Machado
Pereira. Nesta Assembleia foi feita uma exposição relacionada com a
recente participação de uma delegação da Academia do Bacalhau de S.
Miguel no recente Congresso Mundial deste movimento academista, que
decorreu no Brasil, tendo sido anunciado que o futuro Congresso será
realizado em Setembro do próximo ano, em Maputo, Moçambique, evento
em que a respectiva organização aguarda expressiva representação de
todas as Academias dos países onde se fala a língua portuguesa.
O Presidente da Direcção manifestando o seu regozijo pela crescente
adesão dos “Companheiros” às actividades da Academia, deu a
propósito conta do êxito da campanha de angariação de roupas para
alunos do Liceu de Luanda, informando que um contentor com o
vestuário recolhido seguirá ainda este mês de Novembro para Angola.

Uma outra iniciativa a que a
Academia do Bacalhau de S. Miguel aderiu há já bastante tempo e que
mantém no presente mandato é a do fornecimento de alimentação aos
sem abrigo de Ponta Delgada, sendo já quatro dezenas de pessoas que
estão a ser contempladas, uma vez por semana, a cargo da Academia,
com uma refeição quente servida pessoal e directamente pelos
“Compadres”, iniciativa também coordenada pela Comissão de
Solidariedade e que é dedicada e permanentemente operacionalizada
pelo associado Ilídio Vaz. Segundo anunciado, o “Almoço de Natal” da
Academia vai realizar-se no dia 18 de Dezembro, no Hotel VIP, para o
qual, como é tradicional, irão ser convidados utentes de uma
instituição de solidariedade social, que na altura serão obsequiados
com prendas de utilidade pessoal.
O músico Carlos Galvão foi o artista convidado para animar o serão
de aniversário, tendo havido canções para os volteios de um pé de
dança, árias compartilhadas com os convivas, ocasião de soltar a boa
disposição com Moniz Correia a entoar as “Velhas” da Terceira e
ainda um momento intimista de boa fadistagem com o Secretário da
Direcção, António Taipas, fazendo excelente uso de uma belíssima e
bem timbrada voz. No final, os Presidentes dos três órgãos da
Academia partiram o bolo de aniversário tendo sido entoados os
“parabéns a você” com João Subtil a dar o mote para o “Gavião de
Penacho” – o “grito” dos academistas bacalhoeiros – com que
sublinhou os votos de que o 18º ano que agora se inicia seja de bom
convívio associativo, de profícuas actividades sociais e de
reconfortante solidariedade da Academia para com os que dela mais
precisam.
José Nunes |